Wednesday, July 05, 2006

20. A estrutura noética

Quanto ao tema dos tipos de relações que os seres humanos tem consigo mesmo, com os outros e com a realidade, tem sido lembrado que no caso dos seres humanos, a resposta que damos às situações é sempre uma resposta diferida, alterada, variável, e dependente de um esquema que os filósofos chamam de esquema conceitual ou de estrutura noética (de nous, mente, em grego). Com a linguagem humana surgem aspectos importantes, tais como a condição de perguntar, deliberar, pedir razões, exercer uma capacidade de exame e investigação. Isso pode ser resumido assim: o ser humano tem a condição de poder perguntar por razões, ou, como diria o filósofo Wilfrid Sellars: o ser humano pratica o jogo de dar e pedir razões. Aqui podemos também lembrar o filósofo Peter Geach: “Razões podem ser razões para a crença ou razões para a ação.” Isto quer dizer: nosso comportamento (nossa “etologia”), tanto teórico (o modo como vemos o mundo) quanto prático (o modo como agimos no mundo) tem a ver com nossa estrutura noética, com a teia de nossas crenças e conhecimentos.
No caso do comportamento animal, temos a presença de comportamentos instintivo, que, como já vimos, pode ser caracterizado como um comportamento complexo, que possui um objeto específico, que não é aprendido, é fixo (transmitido hereditariamente), é característico de uma espécie. No caso dos seres humanos, será possível encontrar algum comportamento que tenha essas características?
Podemos continuar com a comparação entre os homens e os animais, ainda inspirados em Aristóteles. Um animal doméstico pode manifestar prazer em ser acariciado e algo parecido acontece com os humanos. Mas um ser humano pode sentir prazer e ao mesmo tempo considerar que não deveria estar sentindo ou fazendo aquilo, que aquilo não é correto, certo ou bom. Com base nisso, podemos distinguir entre a motivação pelo bem e a motivação pelo prazer. E ainda temos que acrescentar que além dessas deliberações de natureza ética ou moral, o ser humano vive no domínio das deliberações sobre o que é verdadeiro ou falso quanto aos fatos do mundo.

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